domingo, 18 de abril de 2010

Busca e transcriação no processo de reportagem


O processo de produção de uma reportagem é muito complexo, exigindo assim, muito do jornalista responsável. É necessário saber o que deve ou não ser divulgado. Quando este for escolhido elabora-se a pauta com o que se busca na reportagem.

O repórter deve estar sempre atento para tudo o que acontece ao seu redor. No momento da pauta ele passa a ser o olho de quem não esta no local, ou seja, tem que descrever com detalhes, decifrar informações, que muitas vezes podem estar ocultas, e acima de tudo levar a realidade com responsabilidade ao seu leitor, ouvinte, telespectador ou internauta. Por isso a necessidade de se apurar os fatos in loco. Ainda assim sabemos que não se pode copiar o real, pois o mesmo depende o ponto de vista de cada um.
Muitas vezes a pressa dos veículos de comunicação pode atrapalhar a investigação para o processo de reportagem. Ainda mais quando o jornalista não tem intimidade com o tema o assunto a ser abordado.

Na transcriação do fato o repórter deve ter habilidade para elaborar frases e parágrafos e saber a melhor sequência para eles. Trata-se de um trabalho de paciência.

Como dito antes, não existe uma reportagem que mostre a verdade “como ela é”, essa verdade dependo do ponto de vista de cada jornalista, muda muito no processo de reportagem. Portanto: “não existem fórmulas científicas no jornalismo, especialmente na reportagem: cada história é uma história, e merece tratamento único” (Kotscho).

sexta-feira, 5 de março de 2010

Resenha do filme “O Informante”

Baseado em fatos reais “O Informante” mostra de maneira detalhada o que se passa em uma empresa de comunicação quando descobre algo de grande relevância. A indagação de levar ou não ao conhecimento do público as informações. Nesse caso específico fala sobre as barbáries cometidas pela indústria do cigarro.

A mega empresa fabricante de cigarro colocava produtos químicos para fazer com que as pessoas viciassem de maneira mais rápida e forte ao produto. O cientista Jeffrey Wigand, ex-vice presidente administrativo de pesquisa da empresa, decide levar o fato ao conhecimento geral. Mas seu contrato previa que não poderia revelar assuntos da empresa. Lowell Bergman produtor de um programa jornalístico o encontra e o instiga a falar sobre o assunto.

Apesar de receber uma grande pressão da empresa, mas acima de tudo sua preocupação com a sociedade e seus problemas pessoais, o cientista resolve falar sobre o caso no programa de entrevistas de grande audiência denominado “60 Minutos”, depois de gravada a matéria a rede de TV não a transmite, Wigand fica inconsolável devido a isso, o programa além de censurado pela rede de americana TV CBS.

A situação se complica entra outro fator em jogo, o interesse comercial em detrimento a ética do jornalismo. Com isso o produtor se vê de forma ainda mais complicada como ficaria sua situação diante daquele momento em que seu informante perdeu absolutamente tudo por “nada”, e pede ajuda a outros jornalistas que divulgam no The New York Times os bastidores da decisão da rede de TV. Após isso a TV CBS transmitiu a entrevista, mas Lowell Bergman pede sua demissão, para que isso não viesse a acontecer novamente.

Essa situação empresarial acontece muito nas empresas de comunicação, a censura de um trabalho jornalístico ainda acontece. Muitas vezes as pautas são feitas para falar bem de tal empresa ou para ignorar outras até mesmo não informar. Deixando assim o público sem a informação, ou a mesma distorcida.


O INFORMANTE (1999) The insider

Direção: Michael Mann
Roteiro: Eric Roth, Michael Mann
Produção: Pieter Jan Brugge, Michael Mann
Música Original: Pieter Bourke, David Darling, Lisa Gerrard, Graeme Revell
Fotografia: Dante Spinotti
Edição: William Goldenberg, David Rosenbloom, Paul Rubell
Direção de Arte: Avishay Avivi, John Kasarda, Marjorie McShirley, James E. Tocci
Figurino: Christopher Lawrence, Anna B. Sheppard
Efeitos Especiais: John E. Gray, Terry W. King
País: USA
Gênero: Drama

Resenha do livro Minha Razão de Viver


Após ler o livro Minha Razão de Viver de Samuel Wainer, tenho a certeza que este foi um dos maiores nome do jornalismo brasileiro do século XX. Samuel tinha o sangue de repórter correndo em suas veias desde muito cedo.

Algo que nos deixa fascinado em sua história é a arte de estar no lugar certo e na hora certa, registrar os acontecimentos que viveu, ou como no caso de Getúlio Vargas chegar na hora em que o homem precisava falar. Fiquei imaginando como era cobrir sozinho, à eleição de um candidato a presidente. Todos os outros jornais eram contra a candidatura de Vargas, e ainda assim ganhar as eleições. É fascinante a narração que Samuel faz dos comícios de Getúlio por todo Brasil, em que ele foi o único jornalista a acompanhar.

Seu companheirismo com Getúlio nos revela o outro lado na notícia. Vargas foi quem articulou para que Wainer pudesse fundar seu jornal diário nomeado Última Hora. A intenção principal era que o jornal pudesse trabalhar junto ao governo Vargas. Pois naquela época o presidente não tinha o apoio dos donos de jornais, principalmente do dono dos Diários Associados, Assis Chateubriand.

Desde a época da revista Diretrizes Wainer mostrou ser preocupado com a redação, e com a sua ideologia esquerdista. Samuel por vezes cita que poderia ter ficado rico pela influência que tinha durante governo Vargas e Juscelino, mas não o fez. Segundo ele todo o dinheiro que recebia era investido na redação de seu jornal. Com a preocupação de garantir ao leitor um material de qualidade.

O jornal Última Hora cresceu e se expandiu para outros estados. Samuel relata o caso em que mentiu que mandou quase 200 profissionais para cobrir uma Copa do Mundo, sendo que na verdade a maioria das matérias eram de agências internacionais, onde os textos eram mudados aqui.

Outras partes que também chamam a atenção é quando começa a Ditadura Militar no Brasil, quando Castelo Branco faz vigorar os Atos Institucionais. A impressa Brasileira passou a ser duramente censurada, e Samuel cita um caso em que precisou ser amigo dos militares para que não fosse preso novamente. Também a sua ida para o exterior por conta do Regime.

Todas essas partes são marcadas pela inimizade que ele tinha com o jornalista Carlos Lacerda, que foi seu colega de trabalho na época da revista Diretrizes. Essa inimizade marcou até mesmo a postura da população politizada, os lacerdistas, que não eram poucos não gostavam nem de olhar para a Samuel. Por vezes Wainer teve que deixar encontros ou lugares para não polemizar a situação, isso que dá ainda mais graça a história de vida desse grande jornalista.